Unir os produtores em organizações pode ser a chave para aumentar a competitividade do setor

Entrevista a Duarte Marques, presidente da associação AGUIARFLORESTA

Publicada na revista Voz do Campo (edição Agosto/Setembro)

A Aguiarfloresta é, neste ano, a anfitriã do XVIII Fórum Nacional da Apicultura, XVI Feira Nacional do Mel e I Feira de Inovação na Apicultura, evento anual levado a cabo pela Federação Nacional dos Apicultores de Portugal (FNAP), que nesta edição se estende pelo território do Alto Tâmega.

A edição de 2017 do Fórum, que acontece nos dias 7, 8, 9 e 10 de setembro em Vila Pouca de Aguiar, contará ainda com a coorganização da CAPOLIB – Cooperativa Agrícola de Boticas, e da Montimel – Cooperativa dos Apicultores do Alto Tâmega.

Para falar sobre o evento, a apicultura e as especificidades da região, estivemos à conversa com o presidente da Aguiarfloresta, Duarte Marques.

 

Este ano é Vila Pouca de Aguiar a anfitriã do Fórum Nacional de Apicultura e Feira Nacional do Mel, como nos caracteriza a região em termos apícolas?

A região de Vila Pouca de Aguiar, assim como todo o Alto Tâmega, apresentam uma excelente aptidão e elevado potencial apícola. Trata-se de uma região onde se produz mel de elevada qualidade e variedade, mas que é conhecida pelo mel monofloral de urze, obtido pelos apicultores através de um maneio adequado. Outra das florações mais importantes para a região é o Castanheiro. Apesar da atual tendência do mercado para os méis monoflorais, na região também se produz um excelente Mel de Montanha, com óbvia predominância dos néctares de urze e castanheiro.

 

E a nível nacional como está o sector?

O setor apícola, a nível Nacional, vem enfrentando uma série de desafios, muito em especial às alterações climáticas, responsáveis em grande medida pelas primaveras secas e a consequente perda de produção de mel, mas também importantes enquanto causa das cada vez mais frequentes vagas de incêndios florestais. Por outro lado, o mercado do mel é cada vez mais exigente e profissionalizado, o que tem obrigado a uma resposta por parte do setor apícola, vivendo-se uma renovação provocada pela crescente chegada de jovens ao setor. A não desvalorizar, também a necessidade de unir os produtores, na formação de organizações de produtores, um instrumento que pode vir a revelar-se chave para aumentar a competitividade do setor no mercado global.

 

Tem havido adesão de jovens?

Como disse anteriormente, assiste-se à chegada de um elevado número de jovens ao setor apícola, assim como a um aumento dos investimentos dos apicultores já estabelecidos, profissionalizando-se. O atual desafio que se coloca ao setor, é saber como podemos ajudar todos a manterem-se no setor, e a não desistir ou a abandonar a atividade, uma vez que para muitos a apicultura é a única fonte de rendimento da exploração.

 

Em termos sanitários, quais as principais preocupações?

Verifica-se uma redução nos apoios à apicultura, nomeadamente aos apicultores (menos medicamento) e às organizações de apicultores, que são as entidades que no terreno são responsáveis pela sanidade apícola. Tal implica muitas vezes que o apicultor tenha tendência para facilitar no maneio sanitário da exploração, o que deve a todo o custo ser evitado. Este desinvestimento por parte do Ministério da Agricultura pode conduzir ao aparecimento de graves problemas sanitários.

 

Como foi a campanha este ano?

Este ano, tal como vem acontecendo com uma cada vez maior frequência nos últimos anos, os apicultores sofreram com a Primavera seca e quente, o que provocou uma quebra acentuada na produção de mel, muito em especial em certas regiões, como o Norte. Essas quebras são graves, e a elas juntam-se as dificuldades em manter o efetivo, uma vez que essa instabilidade climática sentida na Primavera, condiciona grandemente as florações subsequentes, o que acarreta enormes dificuldades em manter colmeias nutridas.

 

Quanto ao Fórum que este ano contempla uma mostra de inovação. Estamos a falar de que inovações? E onde faz falta inovar?

O objetivo é mostrar de forma agregada aos ativos do setor, as inovações que têm surgido quer ao nível de maneio, na transformação de produtos e no próprio material apícola. A inovação é essencial para todos os setores da economia nacional, e a apicultura não é exceção, fazendo falta em todas as etapas da produção até à comercialização.

 

Quais os principais temas em debate/destaque durante o evento e objetivos?

Os principais temas que queremos debater são as ajudas ao setor, que são basicamente o Programa Apícola Nacional, a sanidade, a comercialização. O Fórum é o local onde todos os intervenientes no setor têm uma voz, e onde as organizações de apicultores procuram fazer ouvir a sua voz e dar a conhecer à fileira aquilo que é a sua visão dos desafios que se colocam ao setor. Um dos objetivos das organizações de apicultores, e da Federação, é que este evento contribua de forma indelével para a dinamização de todo o setor apícola no Alto-Tâmega, criando assim uma vasta oferta, do que melhor fazemos, em todos os setores.

 

Que outras atividades e projetos estão na calha?

Atualmente a Aguiarfloresta já está a cooperar na realização da Feira do Mel e Artesanato, que ocorre anualmente durante este mês de Agosto, de dia 12 a 15. Estamos também empenhados em lançar as bases para que na região se venha a constituir uma OP para o mel.